domingo, 19 de dezembro de 2010

Feria de Aves de Sudamérica parte 1 - A Feira

Quando pensamos em Argentina, três coisas vem à cabeça: tango, vinho e futebol. Inventaram o tango, produzem excelentes vinhos, e futebol, bem... Vamos falar de passarinhos!

Posso acrescentar um quarto item a esta lista: Patagônia. Há anos era e continua sendo um dos destinos turísticos que eu queria conhecer, tanto pelas paisagens maravilhosas como pelas aves, especialmente os pinguins. Ironia da vida sonhar com pinguins e Cordilheira dos Andes morando aqui, nestas terras planas e eternamente quentes... 

Uma parte das montanhas da Cordilheira do Andes ao fundo da estepe patagônica, no caminho para San Martín de Los Andes, distrito de Neuquén, Argentina. Nosso caminho até a Feria de Aves de Sudamérica... Foto: Tietta Pivatto

Este ano, durante o Avistar, recebi um convite que mudaria esta relação distante. Os organizadores da Feria de Aves de Sudamérica me chamaram para apresentar lá em San Martín de Los Andes, na Argentina, a mesma palestra que tinham acabado de assistir no Avistar. E de quebra o convite também se estendeu ao Daniel, cujo tema deveria ser as oportunidades de fotografia e observação de vida selvagem no Brasil. Nossa participação foi garantida pelo apoio de muitas empresas e instituições parceiras de Bonito e outras regiões. Para saber detalhes, clique aqui.

Daniel De Granville apresentando palestra sobre oportunidades de fotografia e observação de aves no Brasil. Não cabe tudo em uma única palestra... Foto: Tietta Pivatto

A Feria aconteceu entre 24 e 27 de novembro. Sim, faz quase um mês e só agora estou conseguindo escrever... Mas posso dizer que foi muiiiito bom! A organização do evento, a programação, as atividades, os temas apresentados nas palestras e mesas redondas tinham sempre um grande objetivo: promover a observação de aves não apenas na Argentina, mas em toda a América Latina. Ficou claro para todos os presentes que esta atividade tem grande potencial e que pode ser desenvolvida em muitos lugares deste grande e biodiverso continente. Das estepes geladas da Patagônia à exuberante floresta amazônica, são mais de 3.000 espécies de aves, muitas endêmicas e ameaçadas, que podem atrair observadores de aves de volta à América do Sul muitas vezes, e sempre com novas espécies em suas listas pessoais. 

Abertura oficial da Feria de Aves de Sudamérica. Foto: Daniel De Granville

Foram cerca de 300 inscritos e mais de 600 visitantes ao longo dos quatro dias de evento, com representantes da Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Colômbia, Brasil, Inglaterra, França, Espanha, Estados Unidos e Canadá. A feira teve participação de 22 expositores compostos por instituições ambientais, representantes do governo, parques nacionais argentinos, operadoras de turismo, destinos de turismo receptivo, hotelaria e artesanato, com volume estimado de negócios em cerca de 30.000 dólares. Do Brasil, apenas o pessoal da Lagoa do Peixe e uma mesa que a organização do evento nos cedeu para expor nossos patrocinadores...

Um dos stands da Feria de Aves recebendo alunos das escolas locais. Foto: Daniel De Granville

Aconteceram 30 palestras e mesas-redondas, dois mini-cursos, nove saídas a campo, uma exposição de arte, um concurso fotográfico, duas exposições de fotos e apresentação de um filme longa-metragem, além de três tours (viagens curtas pré e pós feira) e um jantar de confraternização com apresentação de orquestra de coral. 

Atividades de campo, observando aves na Laguna Rosales, em San Martín de Los Andes. Foto: Daniel De Granville

Do Brasil, além de nós de Mato Grosso do Sul, tinha uma representante do Rio de Janeiro, dois de São Paulo, três do Rio Grande do Sul e dois do Acre! Foram quatro palestras brasileiras (além de mim e do Daniel, tinha também a Martha Argel  e o pessoal da Lagoa do Peixe) e duas participações em mesas-redondas (Martha Argel e Roséli do Nascimento).

Martha Argel apresentando o novo guia de Aves do Brasil/Pantanal e Cerrado. Foto: Daniel De Granville

O evento contou ainda com a participação de pessoas de grande relevância no meio ornitológico e no turismo de observação de aves sul-americana, como Tito Narosky, Horácio Matarasso, Luis Segura, Juan Klimaitis e Cecília Rolon (Argentina), Sergio Ocampo Tobon (Colômbia), Eduardo de La Cadena (Peru), Rodrigo Reyes (Chile) e Martha Argel (Brasil).

Ganhando autógrafo de Tito Narosky, atualmente o principal nome da ornitologia argentina. Foto: Daniel De Granville

Por fim, durante o evento, foi assinada a Ata de Fundação da Associação Sul-Americana de Observadores de Aves, com representação de todos os países sul-americanos presentes, cujo objetivo principal é o fomento à atividade em todo o continente.

Foto oficial de divulgação da Feria de Aves de Sudamérica

Paralela à exposição do concurso fotográfico do evento, foram apresentadas 22 fotografias representativas das principais paisagens e atrativos naturais do Brasil, com destaque para as aves, Pantanal e Bonito. As imagens causaram impacto positivo nos visitantes, inclusive porque muitos não imaginavam que existiam lugares como este no país, motivando muitas perguntas sobre oportunidades de viagem para os locais expostos nas fotografias.


Exposição fotográfica do Daniel De Granville. Foto: Tietta PIvatto



Um objetivo implícito do evento foi promover o bom relacionamento entre os participantes, na forma de brindes, homenagens, áreas de convivência e especialmente o jantar de confraternização, onde houve uma bela apresentação de orquestra de coral com músicas de todos os países sul-americanos presentes no evento. Esse aspecto possibilitou um espírito de confraternização permanente, que permanece até hoje via internet, com inúmeros depoimentos e divulgação de fotografias em sites de relacionamento como Facebook. Como resultado secundário, criou-se uma expectativa para a segunda edição do evento em 2011 (já marcado para 24, 25 e 26 de novembro), com diversas pessoas e empresas se mobilizando para participar.

Cena de Camadería, ou para nós, um delicioso jantar de confraternização. Foto: divulgação Feria de Aves

Além do jantar, o evento teve agradecimentos, entrega de prêmios para os vencedores do concurso fotográfico e sorteio de brindes para os participantes. Nós contribuímos doando brindes oferecidos pelo AvistarAmbiental Expedições e Photo in Natura.

Olha o Horacio Matarasso, coordenador do evento, sorteando nosso Guia de Campo de Bonito - Fauna e Flora, durante o jantar de confraternização. Foto: divulgação Feria de Aves



Além das apresentações, participamos de três saídas a campo para observação de aves, aproveitando a oportunidade para conhecer a experiência dos congressistas com a atividade, suas dificuldades, oportunidades, técnicas e recursos usados para a condução de turistas. 



O chimango (Milvago chimango) é uma das aves mais comuns da região. Este foi fotografado às margens do lago Lacar, que banha San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto



Além do chimango, também vimos esta gaviota-capucho-café (Chroicopephalus maculipennis) às margens do lago Lacar, que banha San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto

Este cauquén-común (Chloephaga picta) estava passeando tranquilamente na Laguna Rosales, em San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto

O tero, ou quero-quero (Vanellus chilensis) não tem penacho como o nosso, além de gritar com voz mais rouca, muito legal! Foto feita em Laguna Rosales, em San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto


As atividades de campo foram promovidas em localidades próximas da cidade, usando áreas rurais e parques naturais. A beleza da região foi um importante fator nestas atividades, associadas a uma avifauna típica dos ambientes andinos. Todos os grupos foram conduzidos por guias voluntários da região, nem sempre especialistas, mas com conhecimentos suficientes para orientar os novatos. 

Procurando o condor-dos-andes acabamos encontrando o pequeno yal-negro (Phrygilus fruticeti) ...

...e a loica-común (Sturnella loyca) nos campos das estepes patagônicas, em San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto

Já nos humedales do rio Collón Cura observamos muitas aves aquáticas, como estes cisnes-de-cuello-negro  (Cygnus melancorypha) ...

...e também um lindo bando de flamingos, o flamenco-austral (Phoenicopterus chilensis) em San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto


Já no final da atividade, este pequeno sobrepuesto (Lessonia rufa) se aproximou do grupo enquanto almoçávamos no campo, às margens do rio Collón Cura, em San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto


Em todas as saídas de campo foi oferecido um café-da-manhã no campo para os participantes, sendo mais uma boa oportunidade de relacionamentos e troca de informações. Estes detalhes são fáceis de serem replicados em roteiros desenvolvidos no Brasil, onde o início das atividades precisam ser muito mais cedo que nas zonas temperadas devido às altas temperaturas tropicais.

Painel informativo sobre o condor-dos-andes (Vultur gryphus) em frente a um paredão onde um grupo destas maravilhosas aves costumam dormir. no caminho para San Martín de Los Andes. Infelizmente ainda não foi neste dia que vimos o condor. Foto: Tietta PIvatto

Para quem quiser mais informações, visite o blog do Daniel, da Martha Argel e o site oficial da Feria de Aves. Para quem está no Facebook, tem mais fotos no meu perfil e no perfil de todos os participantes da feira.

Eu e Daniel no mirante de San Martín de Los Andes. Ao fundo, o lago Lacar, que manda suas águas em rota direto para o Oceano Pacífico. Foto: Horacio Matarasso

Quero deixar um agradecimento especial a todo o comitê de organização da Feria de Aves de Sudamérica, especialmente ao Horacio Matarasso, Gonzalo, Jorge, Klauss, Norber e todos os outros que viabilizaram nossa participação no evento. Muchas Gracias Amigos!!!

Observando aves aquáticas às margens do rio Collón Cura, em San Martín de Los Andes. Foto: Tietta PIvatto

E claro, nossa ida só foi possível graças ao apoio das entidades a seguir, que forneceram apoio financeiro (F), institucional (I), logístico e material para nossa ida. Os custos da viagem para participar da Feria foram integralmente cobertos por estes parceiros, incluindo a neutralização do carbono emitido pela nossa participação. Os cálculos de neutralização foram feitos pelo Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), que promoverá o plantio de árvores em acordo com a quantidade necessária para zerar o carbono que emitimos.


Panfletos de nossos patrocinadores expostos durante a Feria de Aves...



e o interesse dos participantes. Dos quase 20 quilos de material que levamos, voltamos com menos de 600 gramas. Bonito e Pantanal fizeram sucesso na Feria de Aves de Sudamérica! Foto: Daniel De Granville

Finalizando, o que ficou bem claro para nós é o crescimento desta atividade e o grande potencial que temos para expandir o mercado. São 30.000 observadores de aves só na Argentina, loucos para ver e fotografar novas espécies. O Brasil é um paraíso para eles, basta nossos empreendedores se prepararem para este público, divulgando nossas aves e destinos turísticos e também preparando os profissionais que vão atendê-los EM ESPANHOL!

Sobre a continuação da viagem, aguardem o próximo artigo!

Um comentário:

Horacio Matarasso disse...

Esta nota es excelente y describe con mucho sentimiento lo que la Feria de Aves de Sudamérica es para todos los que participamos. Gracias Tietta!!!
comode