terça-feira, 10 de março de 2009

Escolhendo destinos para observação de aves

Além da diversidade de aves, os observadores aves esperam que o roteiro escolhido seja feito em paisagens naturais conservadas, tenha segurança, custos compatíveis com o serviço prestado e ofereça boas oportunidades de se observar novas espécies (Pivatto et al., 2008). De acordo com Mourão (2004), um destino deve apresentar:

aves interessantes
: raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção contam mais do que aves comuns, mesmo que bonitas. Os observadores de aves esperam ver entre 60 a 100 espécies diferentes por dia, sendo que ao final da viagem, acrescentem entre 20 a 60 novas aves em sua lista pessoal (Pivatto et al., 2008). Ou seja, o importante é a diversidade, e não a quantidade!


Filhote de pavãozinho-do-pará (Eurypyga helias) fotografado no Pantanal de Mato Grosso. Foto: Daniel De Granville

disponibilidade de informações: os observadores gostam de detalhes. Quanto mais informações disponíveis melhor. Conta aqui livros e guias de aves da região, páginas na Internet com listas atualizadas, locais para observação de determinadas espécies, roteiros dia-a-dia detalhando as atividades, trip reports (relatos de viagens feitos pelos próprios observadores na Internet) perfil do guia acompanhante, etc.

boas condições de acesso
: segurança e poucas horas de viagem entre um ponto e outro é o ideal. Locais muito afastados ou que demandam horas de barco para chegar são procurados apenas pelos mais aficionados ou aventureiros.


infra-estrutura: conforto vale mais do que luxo. Cama boa, chuveiro quente e refeições saborosas, facilidade de comunicação e transporte confortável, acompanhados pelo conjunto de todos os quesitos apresentados nesta lista de qualidades.

Torre de observação de aves no Hotel Cristalino/MT. Foto: Daniel De Granville

preços razoáveis
: os observadores de aves estão acostumados com estas viagens e têm noção dos valores justos para a atividade. Não se importam de pagar altos valores desde que isto se justifique.


É fundamental ter interesse em trabalhar com este público e ter possibilidade de ser flexível para suas necessidades específicas (horários especiais, grupos separados, etc), pois se qualquer um destes itens não estiver presente, o roteiro pode ficar comprometido, e o destino pode deixar de ser indicado nas páginas da Internet especializadas em observação de aves.


Topetinho-vermelho (Lophornis magnificus) fotografado em Ubatuba/SP. Foto: Daniel De Granville

Referência:
Mourão, R. M. F. (2004) Observação de Aves. Atividades na Natureza. Manual de Melhores Práticas para o Ecoturismo – Turismo Sustentável. Pp. 38-58. Rio de Janeiro: Programa MPE Funbio.

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