Existem muitas pessoas que passam a vida toda acrescentando novas espécies à sua lista pessoal, chegando a empreender verdadeiras expedições para ver um único pássaro considerado raro. Estas pessoas possuem mais de 1.000 espécies em sua “birdlist” (lista de aves), sendo que alguns são famosos por já terem observado mais de 5.000 aves por todo o mundo. Geralmente pagam por um guia especialista que possa mostrar as melhores aves de determinada região, de forma a ampliar sua “coleção”. São chamados “birders”, “birdwatchers” ou “twitchers”, sendo estes últimos os extremistas, que chegam a largar tudo o que estão fazendo e voar para o outro lado do país após receber um telefonema avisando sobre uma nova espécie avistada naquela manhã, ou da chegada tão aguardada de aves migratórias.
Não se importam de levantar bem cedo desde que tenham muitas possibilidades de “good spots”, ou como dizem, boas espécies para sua lista. E novas espécies, sempre, pois se ele já tem o bem-te-vi marcado em uma região visitada, não vai se interessar pelo bem-te-vi de outra cidade, a não ser que esteja fazendo uma lista temática. Quando os observadores começam a ter dificuldades em encontrar novas aves (geralmente porque já viram quase tudo que era possível em sua região ou país), começam novas listas: ver todas as aves de determinada família, ver aves que estejam alimentando filhotes, ver uma espécie em várias cidades diferentes, etc... O que vale é a imaginação!
Por ser a única representante da Família Cariamidae no Brasil, a seriema (Cariama cristata) é muito valorizada pelos observadores de aves. Foto: Daniel De Granville
Por ser a única representante da Família Cariamidae no Brasil, a seriema (Cariama cristata) é muito valorizada pelos observadores de aves. Foto: Daniel De Granville Em alguns países como Inglaterra e Holanda são realizadas feiras anuais sobre observação de aves, como a British Birdwatching Fair, a maior e mais famosa delas. Reúnem milhares de pessoas interessadas em informações sobre o tema, inclusive sobre os melhores locais para praticar a atividade.


The British Birdwatching Fair, edição de 2007. Foto: Tom McIlroy
Mas existem também os observadores que apreciam a atividade pelo que ela é, ou seja, um momento de lazer praticando seu hobby favorito. Estes observadores querem ver aves, mas também gostam de ver anfíbios, répteis, insetos, flores, mamíferos e todas as belezas naturais da região. São os “naturalistas”.
De acordo com levantamentos feitos nos Estados Unidos e Europa, a maioria dos observadores de aves são adultos com mais de 45 anos, com boa situação financeira e nível educacional. Costumam viajar em grupos ou em família, com roteiros pré-definidos via operadoras de turismo ou seguindo recomendações de outros observadores. Interessam-se por outros atrativos, mas o foco principal é sempre as aves. Os “twitchers” querem apenas novas aves para sua lista.
Já o público brasileiro é composto em sua maioria por jovens entre 25 e 40 anos, principalmente estudantes ou pesquisadores, com situação financeira moderada. Podem viajar sozinhos ou em família, poucas vezes em grupo. Definem o roteiro de viagem por conta própria, mas também seguem recomendações de amigos. Priorizam as aves, mas como gostam de fotografar, também se interessam por outros aspectos da natureza (Pivatto et al. 2007). Porém este perfil está se modificando com o crescimento da atividade, e outros grupos já mostram interesse pelas aves em suas viagens, principalmente fotógrafos.
Para saber mais, clique aqui.
Em qual destes perfis você se encaixa?



1 comentários:
Olá!
Gostei muito do blog, parabéns!
Sou bióloga, e faz dois anos que comecei a observar aves de forma mais criteriosa, tanto pelo trabalho, como por hobby. Interessante este dado de que no Brasil as pessoas que observam aves são mais jovens em comparação com outros países.
Abraços!
Natália
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