sábado, 17 de janeiro de 2009

Dando nome às aves

Muitas das aves brasileiras possuem nomes populares, criados quando despertaram atenção do ser humano por alguma característica física, comportamental, utilitária ou cultural (Antas 2004). Assim os índios, os colonizadores e depois os caboclos foram batizando as aves conforme iam tomando contato com as mesmas, criando sua própria separação: pica-pau-do-campo, pica-pau-verde-barrado, picapau-anão, etc.


O problema é que em cada lugar as mesmas aves recebiam nomes diferentes, o que sempre gerava dúvidas e duplicidade na identificação. Assim, quando Carolus Linnaeus propôs em 1756 a classificação binomial dos seres vivos, muitas confusões foram eliminadas.


A jaçanã (Jacana jacana), nome comum em São Paulo, é chamada de cafezinho no Pantanal de Mato Grosso do Sul, de Watted Jacana em inglês, jacana em espanhol, yasaná em guarani. Foto: Daniel De Granville


De maneira simplificada, podemos dizer que a classificação científica procura separar os seres vivos de acordo com suas semelhanças, seguindo critérios estabelecidos por cientistas taxonomistas. Pense em um guarda-roupa. É fácil separar calças, bermudas, camisas, camisetas, blusas, meias, etc. Na parte das camisas, podemos separar as brancas, pretas, listradas, xadrez, coloridas. Dentro de cada cor, aquelas de mangas curtas ou compridas. Ainda podemos separar as de algodão, linho, seda, etc. É mais ou menos assim que o taxonomista trabalha, separando os seres vivos de acordo com suas semelhanças. Inicialmente, esta classificação era baseada principalmente nas semelhanças morfológicas, e muito do conhecimento popular de então foi seguido, mas aos poucos os novos conhecimentos foram modificando esta primeira tentativa de organizar as informações naturais, principalmente aqueles advindos do avanço da genética. Desde o início de sua criação, ela já foi modificada inúmeras vezes, pois a cada novo estudo descobre-se um novo ou um falso parentesco.


Os urubus (Ordem Cathartiformes) já foram considerados uma família dentro da Ordem Ciconiiformes, que reúne garças e cegonhas. Na foto o urubu-preto ou comum (Coragyps atratus), o mais conhecido no Brasil. Foto: Tietta Pivatto


Os guias de campo e demais livros de ornitologia seguem uma ordem taxonômica para ordenar as aves. Para as pessoas que não têm familiaridade com estes termos, a ordem das aves parece sem sentido, mas cientificamente, ela auxilia o cientista por considerar as semelhanças não apenas morfológicas (cores, tamanho, formato, etc.), mas também as genéticas e fisiológicas.


Com o passar do tempo novas espécies foram sendo descobertas pelos cientistas, e muitas delas recebiam apenas um nome científico, visto que não tinham nomes populares por não serem conhecidas do público, como por exemplo, pequenas aves que vivem nas copas das árvores da Amazônia. Com o aumento do interesse das pessoas comuns pelas coisas naturais, principalmente observadores de aves, percebeu-se a necessidade de se criar nomes não-científicos para estas espécies. Então se criaram os nomes vernáculos, ou seja, criados a partir dos nomes científicos (limpa-folha-de-testa-baia, anambé-branco-de-bochecha-parda). O mesmo aconteceu em outras línguas, como o inglês e o espanhol.


Os nomes científicos são muito importantes por tornarem as plantas e animais universalmente conhecidos. A língua oficial utilizada é o latim e também o grego, além de termos latinizados. Para nós, falantes da língua portuguesa, entender os nomes científicos torna-se relativamente fácil, visto que nossa língua é derivada do latim, assim como o italiano, francês e espanhol. Muitos dos nomes utilizados possuem palavras que são correntes em nosso idioma, como bicolor, paulista, ou fáceis de entender como niger (negro), grandis (grande), militaris (militar), etc.

0 comentários: